MEU PROCESSO DE TRANSIÇÃO PARA A APOSENTADORIA (parte 1) – Boletim 151

Hoje fazem exatamente 18 anos que meu vínculo empregatício com a empresa onde trabalhava, há muitos anos, foi interrompido de forma abrupta e sem qualquer preparação para a aposentadoria.

De início todo stress, medos, insegurança, preocupações com o futuro, com o novo e desconhecido, tudo normal, especialmente para quem trabalha muito tempo numa mesma organização e, de repente, perde o prestígio e sobrenome corporativo que a empresa lhe prestou por muitos anos.

De início eu não sabia o que iria fazer, mas tinha certeza do que não queria mais ser e fazer. Ser um especialista em transição de vida e carreira, criar o conceito “desaposentadoria”, escrever dois livros, ter uma escola virtual, não faziam parte de seus sonhos e projetos naquela oportunidade.

Hoje olho para trás e agradeço a Deus por ter-me permito transformar, o que de início parecia uma crise, numa grande oportunidade. Após uma longa caminhada e muito investimento no autoconhecimento, descobri um mundo que não conhecia, com mais sentido e significado, novas competências e talentos que certamente estavam “adormecidos”. Posso testemunhar que hoje estou mais feliz e realizado tanto pessoal como profissionalmente. Mas isso fruto de muito esforço, garra e determinação.

Resolvi escrever este e uma série de outros artigos em função de dois fatos.
Primeiro, é comum, ao final de minhas palestras e cursos, ouvir a pergunta “Armelino, nesse processo de transição para a aposentadoria, você se considera uma regra ou uma exceção? ” Eu me considero uma regra, mas também uma exceção, é minha resposta.

Regra, pois, assim como a maioria dos brasileiros que se aposentam, precisei buscar um complemento de renda. Considero-me, no entanto, uma exceção pela caminhada que fiz, tanto pela forma como encarei a situação, mas, de maneira especial, pelos investimentos no autoconhecimento e autodesenvolvimento.

O segundo motivo é ver a situação de muitos aposentados que andam literalmente “desocupados”, com a autoestima em baixa, sem projeto e sem motivação para essa nova etapa da vida e se aposentam do trabalho e da vida. Acham que o período mais importante da vida já passou e que já fizeram o que tinham de fazer e consideram a aposentadoria como tempo de parar, descansar, de curta a tão sonhada aposentadoria, que muitos confundem com inatividade.

A falta de preparação, de novos sonhos e projetos, de um motivo para tirar o pijama, de algo que dê brilho nos olhos, gera a desocupação e inatividade que são, infelizmente, o grande mal que aflige muitos aposentados e os faz estacionar num patamar inferior. Surgem daí problemas psicológicos e muitas doenças, especialmente a depressão, como foi o caso de um colega aposentado, que resolveu, nesta semana, dar cabo da própria vida.

São esses os motivos que me levam a escrever uma série de artigos, relatando como foi meu processo de transição, sem qualquer pretensão de ser um exemplo ou referência, mas apenas de contribuir, testemunhando que é preciso encarar a aposentadoria como uma nova oportunidade que o Criador está concedendo, como um recomeço e não como um fim.

Uma atitude positiva é que faz toda diferença, é preciso encarar a nova realidade e enfrentar o mundo fora do trabalho formal com autoestima elevada e motivação necessária para novas atividades.

Eu entendo que todo aposentado tem talentos “adormecidos” e, muitos não descobrem pela falta de investimento no autoconhecimento, pela falta de garra e determinação na busca de novos sonhos e projetos e um ressignificado para sua vida.

Aguarde meu próximo artigo, quando vou falar sobre como foi meu processo de outplacement.

Um fraternal abraço e até o próximo artigo.

Armelino Girardi
Palestrante e consultor em desenvolvimento de pessoas, criador e mantenedor do portal www.desaposentado.com.br e da escola virtual www.eadesaposentado.com.br

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