MEU PROCESSO DE TRANSIÇÃO PARA A APOSENTADORIA – Parte 2 – Boletim nº 152 – abril 2017

“Todos nós nascemos príncipes e princesas, mas a vida nos torna, muitas vezes, sapos acomodados a coaxar à beira da lagoa”

Inicio este depoimento, destacando a frase acima, de Eric Berne, que despertou minha atenção, numa das leituras que fiz nos primeiros dias após me aposentar, e que me inspirou no processo de transição para a aposentadoria.

Certamente motivado pela busca de novos horizontes, parei e refleti sobre o significado da frase, chegando, numa atitude de humildade, a conclusão de que eu era, de certa forma, um sapo acomodado à beira da lagoa. Quantos anos trabalhando na mesma empresa, na mesma cidade, no mesmo local, na mesma área, convivendo com as mesmas pessoas, com os mesmos problemas e soluções mais ou menos idênticas.
Na verdade, o trabalho limita e formata a vida das pessoas, pois é o principal organizador da atividade humana. É fonte de satisfação, de realização, de status, de valorização diante da sociedade e de inserção na comunidade. A interrupção do vínculo empregatício representa a perda do ponto de referência. O que vou fazer agora, sem o prestígio e sobrenome corporativo que a empresa me emprestou até agora? Foi uma das perguntas mais recorrentes.

Quando se trabalha muitos anos numa mesma atividade ou empresa a tendência é estabelecer rotinas no cotidiano difíceis de serem alteradas, em função de hábitos, crenças e padrões de comportamentos que parecem difíceis de mudar. Conversa-se com as mesmas pessoas, consome-se das mesmas fontes de informações, busca-se os mesmos objetivos, sem perceber que outros mundos estão à sua volta, ricos e maravilhosos.
Posso testemunhar, hoje, de que estão certos os que afirmam que as pessoas crescem com as crises e que é preciso que algo aconteça para que elas olhem o mundo de forma diferente. Mas é preciso estar atento, desperto para se desfrutar das preciosidades que a vida oferece.
E esse foi exatamente o meu caso. De imediato, convenci-me de que precisava buscar novos ares, novos sonhos e projetos para dar um ressignificado a minha vida.

Estava, pois, diante de dois novos desafios: o que fazer e como me preparar para uma nova atividade. Para descobrir o que fazer decidi conduzir, eu mesmo, meu próprio outplacement, relacionando alguns nomes de pessoas que poderiam me auxiliar e parti para as entrevistas.
Diferentemente de quando era executivo de empresa, passei a adotar uma atitude diferente diante do que os entrevistadores me sugeriam. Ao invés de julgar, de imediato e sem refletir e avaliar as sugestões, dizendo “sim” ou “não”, passei a dizer “porque não? ”, anotando num caderno que guardo com carinho até hoje, tudo o que os entrevistadores me diziam, tanto a meu respeito como na indicação de possíveis caminhos a seguir.

O primeiro que procurei foi o meu especial amigo, Bernt Entschev, maior headhunter do sul do País.

Na busca do segundo objetivo, de como me preparar, listei uma série de cursos que achei necessários para me reciclar, iniciando pela formação em eneagrama, objetivando o autoconhecimento.

Antes de concluir, quero deixar uma mensagem que espero seja útil a você, caro amigo (a) que se dignou ler este artigo.

A aposentadoria representa uma grande mudança na vida das pessoas, pois é muito mais do que um simples término de carreira e tem um impacto indiscutível em função das mudanças exigidas e as dificuldades que as pessoas encontram em procurar outras realidades disponíveis, outros mundos possíveis e fascinantes, com novas formas de viver, na vida pessoal e profissional

O problema é que muitas pessoas, ao se aposentarem, não tem uma atitude positiva diante da aposentadoria, ficam presas ao passado sem vislumbrar o futuro, reclamam da vida, do que deixaram de fazer, de como as coisas poderiam ter sido diferentes e de eventuais perdas. Diante de tal atitude, é comum surgir, para muitos, um sentimento de inadequação, de inutilidade, de não pertença, um vazio, que gera baixa autoestima, isolamento, desânimo, dificuldades de convivência familiar, depressão e outras doenças psicológicas.

Aguarde meus próximos dois artigos, quando vou falar sobre a síntese do que o Bernt me disse e o que aprendi na formação em eneagrama.

Receba meu fraternal abraço.

Armelino Girardi

Palestrante e consultor em desenvolvimento de pessoas, criador e mantenedor do portal www.desaposentado.com.br e da escola virtual www.eadesaposentado.com.br

4 Respostas para“MEU PROCESSO DE TRANSIÇÃO PARA A APOSENTADORIA – Parte 2 – Boletim nº 152 – abril 2017”

  1. edite alves diz:

    MUITO BOM RELEMBRAR, BUSCAR NOVOS HORIZONTES SEMPRE.

  2. edite alves diz:

    Fiz coach de 15 com Armelindo. Foi muito bom, para repensar e buscar novos horizontes. No Momento estou viajando para realizar senhos que tinha há muito tempo. Agora que vou começar a pensar numa fonte renda, como trabalho.

  3. Luiz Adalberto de Araujo diz:

    Excelente arquivo. Valeu a pena relê-lo. Vamos em frente!!!

  4. Sabino Oltramari diz:

    Acredito que dez entre dez casos se assemelham, ou seja, temos a vida toda para nos prepararmos para a aposentadoria, pois, esse momento só não vai acontecer para quem deixar de viver antes dele, mas assim mesmo continuamos a ser pegos de surpresa.

    Comigo não foi diferente, pensar em aposentadoria era pensar em inatividade, em deixar de ser produtivo, em perder o vínculo com rotinas que preenchiam a minha vida. Felizmente sempre atuei com gestão de projetos, e isso me fez sempre olhar para o futuro, com isso a aposentadoria se dá como essa travessia para a elaboração, condução, gestão e colheita dos resultados de um novo projeto, não mais corporativo, mas sim de minha própria vida.

Deixe uma resposta

Comentários Recentes