Aposentadoria: Fim ou Recomeço? – Boletim nº 156- Agosto 2017

Existem pessoas que, em determinado período de suas vidas profissionais, não veem a hora de se aposentar. Algumas chegam ao ponto de contar o ano, mês e dia em que essa ocasião vai chegar. Passada a euforia que marca essa tão esperada data, cercada de um clima festivo e emotivo, eis que surge o momento em que “cai a ficha”. Então, parcela considerável dos aposentados tende a ser acometida por sentimentos como vazio interior, angústia e melancolia, entre outros sintomas que, se não devidamente tratados, podem gerar depressão e ansiedade crônicas, bem como distúrbios psicossomáticos – em casos mais graves evoluindo para doenças como drogadição e alcoolismo. Em outro extremo se encontram aqueles que, uma vez aposentados, passam a se perguntar: “E agora, o que vou fazer, se minha vida foi sempre trabalho? ” Esses, coitados, consideravam o trabalho um fim em se mesmo, esquecendo-se da família, dos amigos e de si mesmo.

Em ambos os casos essas pessoas não estavam preparadas para enfrentar mais esta importante etapa da existência humana: a aposentadoria, que não pode ser encarada como um fim e sim um recomeço.

Não existe período mais enriquecedor, salutar, fértil, livre e cheio de prosperidade do que o de aposentado. Não estou me referindo apenas ao lado financeiro e legal da questão, nem ao fato de se poder desfrutar a vida em sua plenitude, fazendo aquela viagem dos sonhos, lendo os livros acumulados na prateleira ou acompanhando o crescimento dos netos. Estou me referindo a novos sonhos e horizontes. Com a bagagem acumulada, aliada à experiência, maturidade e sabedoria, o indivíduo torna-se ainda mais apto a dar sua contribuição à sociedade, além de poder fazer uma análise mais equilibrada sobre seus valores, conceitos e metas de vida. É também a época mais adequada para se conjugar mais o verbo “Ser”, ao invés de “Ter”.

Para tanto, é necessário que o agora aposentado, aprenda a reprogramar sua mente, desfazendo-se de atitudes que considera “viciadas”, isto é, de rotinas e hábitos herdados dos anos de trabalho formal, revendo conceitos e, daí, passando a assumir novas posturas. E, o que é mais importante: estar sempre aberto a novas ideias e objetivos.

O ideal é elaborarmos, com antecedência, o próprio plano de voo futuro, como fazem as águias- que mesmo por instinto se impõem um ritual de renovação. Essa medida consiste em colocar no papel a visão, missão e objetivos, desta feita pessoais – e não corporativos, como fazíamos nas empresas em que trabalhávamos.

Buscando ajudar nesse up-grade de vida, sugerimos se questionar e procurar respostas pessoais a respeito destes itens: 1) como vou ocupar o tempo que antes dedicava ao trabalho?; 2) O que vou fazer com toda minha experiência?; 3) que competências, ainda não descobertas em mim mesmo, terei agora a chance de desenvolver?; 4) qual é meu projeto pessoal para o segundo tempo de minha vida?; 5) quais são minhas forças, fraquezas, valores, papéis e legado? Eu realmente me conheço e quem sou eu além de profissional?

« Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora um novo fim” (frase atribuída a Chico Xavier)

Independentemente da fase da vida em que você esteja é importante dar uma parada, fazer uma pausa, para refletir quem é você, de onde vem, para onde está indo e aonde quer chegar.

Receba meu fraternal abraço.
Armelino Girardi

Palestrante e consultor em desenvolvimento de pessoas, criador e mantenedor do portal www.desaposentado.com.br e da escola virtual www.eadesaposentado.com.br

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