A aposentadoria faz parte do processo de envelhecer – Boletim nº 157- Setembro 2017

“Viver não é esperar a chuva passar. É aprender como dançar na chuva”

A aposentadoria não significa velhice, mas, mais cedo ou mais tarde, todos nós vamos envelhecer. Faz parte da natureza humana. Muitas pessoas envelhecem prematuramente pela forma como encaram sua aposentadoria. Outros envelhecem porque têm medo do novo, se fecham a novas ideias, se tornam radicais e não amadurecem

Todos nós estamos matriculados na escola da vida onde o mestre é o tempo. É preciso aceitar as transformações advindas dessa transição e não o que a mídia impõe, ou seja, a supervalorização da estética e do vigor físico em detrimento da maturidade e da experiência.
Nos olhos do jovem arde a chama, nos do velho brilha a luz. Envelhecer sem sabedoria não é envelhecer. Não deixe que a tristeza do passado e o medo do futuro estraguem sua alegria do presente. A vida não é curta; são as pessoas que permanecem mortas por tempo demasiado. Faça da passagem do tempo uma conquista e não uma perda.

O psicólogo e antropólogo Roberto Crema (Espírito na saúde – Vozes 1997), afirma que “(…) não é da natureza humana envelhecer. Nós passamos. As montanhas passam, as estrelas passam, os rinocerontes passam e nós também passamos. (…) somos caminhantes, seres de passagem. Perguntaram ao poeta Jorge Luiz Borges: “Você tem medo de morrer? ” Ele respondeu: “Não. Tenho medo é de não morrer! É belo estar de passagem. É belo ser peregrino. É belo constatar que a nossa estrada é sempre uma ponte…

Existe uma grande diferença entre ficar velho e crescer. A ideia é crescer através da contínua busca de oportunidade nas novidades – e a aposentadoria traz muitas novidades. Isto não precisa de muito talento ou habilidade. A ideia é crescer sempre encontrando a oportunidade de mudar. Não tenha remorsos. Os idosos geralmente não se arrependem daquilo que fizeram, mas, sim, por aquelas coisas que deixaram de fazer.

O aposentado desfrutará sua velhice como consequência do que foi sua vida. Ninguém é o que é por acaso, mas fruto de como viveu cada uma das etapas da vida, dos seus sonhos e de sua capacidade e vontade de transformá-los em ações. Prepare-se, pois, para encarar o envelhecimento como uma evolução e não como uma involução, como um recomeço e não como um fim, como um ir à frente e não como um retrocesso.

Não é correto afirmar que existem diferenças entre ser velho e idoso. Ambos querem dizer a mesma coisa. Mas podemos assegurar que existe, sim, uma grande diferença entre “Ser de projetos” e “Ser de pijama”, como você poderá verificar no quadro que segue.

Ser de projeto / Ser de pijama

Expectativas: sonhos e ideais a realizar / Apatia, nada a acontecer
Prevalência da identidade / Prevalência do trabalho
Quando ainda aprende / Quando já nem ensina
Estar sendo, ativo / Ter sido / ultrapassado / acomodado
Quando se exercita / Quando apenas descansa
Se renova a cada dia que começa / Perde o foco a cada noite que termina
Quando o dia de hoje é o 1º do resto de sua vida / Cada dia parece o último da longa jornada
Tem planos para o futuro / Vive do passado
Quando dá amor e recebe / Quando só sente ciúmes
Quando seu calendário tem amanhãs / Quando o calendário só tem ontem
Quem tem muita idade / Quem perdeu a jovialidade
Tem seus olhos postos no horizonte, de onde o sol desponta e ilumina a esperança / Tem sua miopia voltada para sombras do passado
O tempo passa rápido e a velhice nunca chega / Suas horas se arrastam destituídas de sentimentos
Leva uma vida ativa, plena de projetos e de esperança / Parou no tempo e no espaço
Tem brilho nos olhos / Olhar cabisbaixo
As rugas são bonitas, marcadas pelo sorriso / As rugas são feias, vincadas pela amargura
Curte a vida / Sofre, o que o aproxima da morte

Receba meu fraternal abraço e até o próximo artigo

Armelino Girardi

Palestrante e consultor em desenvolvimento de pessoas, criador e mantenedor do portal www.desaposentado.com.br e da escola virtual www.eadesaposentado.com.br

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